segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cinebook | A Garota Dinamarquesa #51


Avaliação:    



ATENÇÃO: Este texto contém SPOILER! 


O filme é baseado na história real do pintor dinamarquês Einar Wegener, e se passa em Copenhague por volta de 1925. Ele relata os principais acontecimentos que levaram Einar a descobrir sua transexualidade após um casamento duradouro com Gerda Wegener também pintora. 

Após finalizar a leitura do livro que inspirou o filme, corri para assistir a adaptação. O livro consegue transmitir toda a mensagem, seu impacto, tendo muito mais informações dos personagens em questão, porém apenas o filme me levou as lágrimas. 

É possível compreender todo o conflito de Einar numa época que praticamente o assunto era algo novo e sem referências. A luta de Gerda pelo marido e sua força para seguir adiante toca o telespectador. Mesmo que tenha ficando muito mais emocionada com o enredo do filme e seu final, não descartaria a leitura do livro, pois ele tem detalhes ricos para compreensão de Einar e Gerda, explicando de maneira mais completa a vida do pintor. 

Tudo começa como uma brincadeira com Einar colocando meias e sapatos para Gerda pintar um quadro que precisa finalizar e isso faz Einar ativar uma parte adormecida que sempre esteve dentro de si. Assim Lili (nome que adota como mulher) nasce. Gerda se sente encurralada entre a vontade de ter seu marido de volta e deixar Lili se libertar. 

Porém o sentimento de Einar por sua esposa Gerda é tão puro, sincero que mesmo como Lili ele não consegue deixar de amá-la. Amor esse que passa de carnal para algo similar ao sentimento de irmãs. Gerda é a base para Einar, assim como Einar parece ser a força que move Gerda. É uma situação que foge do controle, tudo que haviam construído no matrimônio, e até mesmo em suas vidas profissionais repentinamente parecem estar errado e fora do lugar. Ver a representação de Gerda me fez pensar na força, dedicação e amor que ela precisou ter para superar e ajudar seu marido com toda a situação, transição em tempos que não existia sequer informações suficientes para compreensão dos fatos. Então isso realmente toca e emociona. 
Alguns fatos são alterados no filme para melhor andamento em tela, como por exemplo:

• No livro Carlisle, irmão de Gerda é quem ajuda Einar em suas visitas aos médicos. No filme Hans (afeto de infância de Einar) é quem assume o papel. Acredito que essa mudança contribuiu em cena, já que o personagem acaba se apaixonado por Gerda e também tenha sido o primeiro homem que Einar tenha beijado quando era jovem. Outro ponto que gostei muito foi Hans ter reconhecido o amigo que não via há muito tempo, mesmo como Lili e assim começar a ajudar Gerda por entender rapidamente à situação por um todo. No livro fica tão claro que Lili e Einar são pessoas diferentes que a impressão que tinha era que ninguém conseguia reconhecê-lo como mulher, incluindo Hans que só descobre após Einar o procurar e contar tudo. 

• No filme Einar apanha por dois homens preconceituosos e Henrik (amor de Lili) é um homem homossexual sendo apenas um amigo após a mudança de gênero do protagonista. No livro o primeiro item não existe e Henrik apesar de descobrir que Lili é Einar ele não ama um gênero e sim a alma da pessoa por quem se apaixonou, então quando eles se reencontram Hans quer viver esse amor independente da imagem exterior Einar(Lili). Seria lindo ver isso em cena. Mas hoje é compreensível que os roteiristas queiram mostrar o preconceito e as diferenças entre o homossexualismo e a transexualidade, então acaba sendo válida a mudança na adaptação.


Sobre o final, o que posso dizer é que por se tratar da vida de pintores, a questão visual do filme foi muito bem elaborada, contribuindo para a atmosfera que evolve o criador e sua criatura. Durante sua vida como Einar ele por muitas vezes retratava em suas telas o pântano em que viveu na infância, e o sentimento que fica quando o local real aparece em cena é que a maior arte que Einar criou foi Lili (exatamente como o autor do livro cita em suas páginas), como se ele repeti-se suas telas a procura de algo que lhe faltava. Em outras palavras todas as partes que formavam Einar criaram Lili no final das contas, mesmo que ele insistisse em dizer que ambos fossem pessoas diferentes presas em um mesmo corpo. Quando Gerda o beija na boca antes de sua última operação e ele chora compulsivamente como Lili é como se naquele instante sua ficha enfim caísse. Einar buscou seu maior objetivo, seu maior sonho e conseguiu se tornar em quem sempre quis ser verdadeiramente no final de sua vida. Enfim, uma bela história de amor incondicional muito emocionante. #Recomendo



Confira o Trailer Legendado abaixo:

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